A função dos rins é essencial para manter o equilíbrio do nosso organismo. Eles filtram o sangue, eliminam substâncias tóxicas, controlam o equilíbrio de água e sais minerais, e produzem hormônios que ajudam a regular a pressão arterial e a formação de glóbulos vermelhos.
Quando há alteração da função renal, significa que os rins estão com dificuldade em realizar essas tarefas de forma adequada. Essa condição pode surgir de forma aguda (repentina), que costuma ser temporária e reversível, ou crônica (progressiva), levando à perda irreversível da função renal. Identificar o problema precocemente é fundamental para evitar complicações graves.

A Dra. Marina Melém é médica formada pela Universidade do Estado do Pará e com residência em Clínica Médica e Nefrologia no Hospital de Base de São José do Rio Preto – FAMERP.
Possui alta capacitação em tratamento de doenças renais e anos de experiência em transplante de rim, fazendo parte do corpo clínico de um dos maiores centros transplantadores de rim do Brasil e do mundo.
Priorizando a saúde global de adultos de forma integrada, o cuidado da Dra. Marina vai além de exames, priorizando uma escuta ativa, acolhimento e tempo dedicado.
Dessa forma, procurar uma especialista como a Dra. Marina fará toda a diferença no seu diagnóstico e no seu tratamento!

Existem diversas condições que podem afetar o funcionamento dos rins. As causas mais comuns incluem:
- Hipertensão arterial (pressão alta): a pressão elevada danifica gradualmente os vasos sanguíneos renais.
- Diabetes mellitus: o excesso de glicose no sangue lesa as estruturas de filtração dos rins.
- Glomerulopatias: inflamação dos glomérulos (parte filtrante dos rins), que pode ter origem autoimune, infecciosa ou idiopática.
- Infecções urinárias recorrentes: quando atingem os rins (pielonefrite), podem causar cicatrizes permanentes.
- Uso prolongado de medicamentos nefrotóxicos: anti-inflamatórios, alguns antibióticos e contrastes radiológicos.
- Desidratação severa: reduz o fluxo sanguíneo para os rins, prejudicando a filtração.
- Obstruções urinárias: cálculos renais, alterações prostáticas e doenças que impedem o fluxo normal da urina.
- Doenças hereditárias: como a Doença Policística dos Rins, que causa múltiplos cistos e a perda de tecido funcionante.
Exames que avaliam a função renal
A avaliação da função renal é feita através de exames laboratoriais e de imagem. O diagnóstico não depende de um único teste, mas da interpretação conjunta dos resultados, histórico clínico e sintomas do paciente.
Dosagem de Creatinina Sérica
A creatinina é uma substância produzida pelos músculos e eliminada pelos rins.
Quando os rins estão funcionando bem, sua concentração no sangue permanece estável. Quando há queda da função renal, a creatinina se acumula no sangue.
Valores de referência variam conforme idade, sexo e massa muscular, mas geralmente:
- Homens: 0,7 a 1,3 mg/dL
- Mulheres: 0,6 a 1,1 mg/dL
É importante lembrar que a creatinina isoladamente não reflete a função renal de forma precisa, pois ela pode sofrer alteração de acordo com a idade, quantidade de massa muscular, hidratação, dieta rica em proteínas e uso de certos medicamentos.
Cistatina C: Um Novo Marcador de Função Renal
A Cistatina C é uma proteína produzida de forma constante por todas as células do corpo e eliminada exclusivamente pelos rins.
Por não depender da massa muscular, idade, sexo ou dieta, esse exame oferece uma avaliação mais precisa e sensível da função renal, especialmente nos estágios iniciais da doença ou em pacientes com pouca massa muscular, como idosos e pessoas desnutridas.
Principais vantagens da Cistatina C:
- É menos influenciada por fatores externos (como alimentação – dieta hiperproteica, uso de suplementos, massa muscular ou distúrbios musculares).
- Detecta alterações precoces da função renal antes mesmo da elevação da creatinina.
- Pode ser usada isoladamente ou combinada com a creatinina para estimar a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) com maior exatidão.
Em geral, valores de Cistatina C entre 0,6 e 1,0 mg/L são considerados normais, podendo variar conforme o método laboratorial.
Taxa de Filtração Glomerular (TFG ou eGFR)
A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é o principal indicador da função renal. Ela estima o volume de sangue filtrado pelos rins a cada minuto.
O cálculo é feito automaticamente pelos laboratórios, com base nos níveis de creatinina (e, quando disponível, cistatina C), idade, sexo e raça.
Valores de referência aproximados:
- Normal: ≥ 90 mL/min/1,73 m²
- Leve redução: 60–89 mL/min/1,73 m²
- Moderada redução: 30–59 mL/min/1,73 m²
- Grave redução: 15–29 mL/min/1,73 m²
- Insuficiência renal avançada: < 15 mL/min/1,73 m²
Valores abaixo de 60 mL/min/1,73 m², por um período superior a três meses, sugerem Doença Renal Crônica (DRC).
Exame de Urina (EAS ou Urina Tipo 1)
O exame de urina é simples, mas extremamente importante. Ele pode identificar:
- Presença de proteínas (proteinúria ou albuminúria) — sinal precoce de dano renal.
- Presença de sangue (hematúria) — pode indicar infecção, cálculo ou inflamação.
- Presença de glicose, cristais ou cilindros — indicativos de alterações metabólicas ou estruturais.
A proteinúria persistente é um dos primeiros sinais de comprometimento renal, especialmente em diabéticos e hipertensos.

Relação Albumina/Creatinina (RAC)
Esse exame é feito em amostra isolada de urina e mede a quantidade de albumina (que é uma proteína) eliminada em relação à creatinina.
A presença de albumina na urina, mesmo em pequenas quantidades, é um marcador precoce de lesão renal.
Valores de referência:
- Normal: < 30 mg/g
- Microalbuminúria: 30–300 mg/g
- Proteinúria significativa: > 300 mg/g
Recomenda-se confirmar alterações com 2 a 3 amostras coletadas em um intervalo de semanas, pois a RAC pode variar com hidratação, exercício físico, febre, infecções, entre outros fatores.
Detectar microalbuminúria precocemente permite intervenção e prevenção da progressão da doença renal.
Exames de Imagem
A avaliação por imagem complementa os exames laboratoriais e ajuda a identificar alterações estruturais dos rins e vias urinárias.
- Ultrassonografia de rins e vias urinárias: exame inicial, sem radiação, que avalia o tamanho, formato, presença de cistos, cálculos ou obstruções.
- Tomografia computadorizada: usada em casos mais complexos, para visualizar tumores, cálculos grandes ou anomalias anatômicas.
- Ressonância magnética: útil em casos de alterações vasculares ou quando não se pode usar contraste iodado.
- Cintilografia renal: é um exame que avalia o funcionamento de cada rim isoladamente, e a forma como o rim capta, filtra e elimina substâncias. É realizada por medicina nuclear, usando pequenas quantidades de material radioativo seguro.
- Biópsia renal: indicada em casos de etiologia incerta ou suspeita de glomerulonefrite ou outras doenças específicas.
Esses exames são indicados conforme orientação médica, dependendo do caso clínico.
Sintomas de Alteração da Função Renal
Nos estágios iniciais, a perda da função renal pode não causar sintomas, sendo detectada apenas em exames de rotina. Conforme o comprometimento avança, podem surgir sinais como:
- Redução ou aumento da quantidade de urina
- Inchaço em pernas, tornozelos e ao redor dos olhos
- Cansaço, fraqueza e falta de apetite
- Náuseas, vômitos e gosto metálico na boca
- Coceira na pele
- Alterações da pressão arterial
- Dificuldade de concentração e sonolência
⚠️ Esses sintomas não são específicos e podem ocorrer em outras doenças, por isso a avaliação médica é indispensável.
Quando Procurar o Nefrologista
O nefrologista é o médico especialista em doenças dos rins. Deve-se procurar avaliação sempre que houver:
- Creatinina ou Cistatina C elevadas ou TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m²
- Proteinúria ou albuminúria persistente e outras alterações no exame de urina
- Hipertensão ou diabetes de longa da data ou de difícil controle
- Histórico familiar de doença renal
- Edemas (inchaço) persistentes
A consulta precoce é essencial para evitar a progressão da doença renal e orientar medidas preventivas.
Veja o que pacientes comentam sobre a Dra Marina:


Sendo o diagnóstico de Doença Renal Crônica, o que devo saber?
A Doença Renal Crônica (DRC) é definida pela presença de alterações estruturais ou funcionais dos rins por mais de três meses, com vários níveis de gravidade.
Ela não é um problema repentino, mas sim um processo lento e progressivo, que envolve perda gradual da função renal. Dessa forma, é considerada um problema de saúde pública mundial.
Detectar alterações na função renal nos estágios iniciais permite o controle eficaz, evitando complicações graves como insuficiência renal terminal e necessidade de diálise ou transplante renal.
Segundo diretrizes internacionais, a DRC pode ser diagnosticada quando ocorre:
- Taxa de Filtração Glomerular (TFG) abaixo de 60 mL/min/1,73m² por mais de 3 meses;
- Alterações persistentes no exame de urina (como presença de proteínas ou sangue);
- Achados de imagem indicando lesão renal (como rins diminuídos ou cicatrizes);
- Alterações anatômicas ou hereditárias, como cistos renais múltiplos;
- Distúrbios laboratoriais que indiquem perda de função renal.
Classificação da doença renal
O exame mais importante é a creatinina. A partir do valor da creatinina, calcula-se a Taxa de Filtração Glomerular (TFG).
A DRC é dividida em 5 estágios, classificados de acordo com a TFG:
- Estágio 1 – TFG ≥ 90 mL/min: função renal normal, normalmente assintomático.
- Estágio 2 – TFG entre 60 e 89 mL/min: leve perda da função renal. Também, normalmente assintomática.
- Estágio 3 – moderada perda da função renal. Subdividida em:
- 3a – TFG entre 45 e 59 mL/min: normalmente assintomática.
- 3b – TFG entre 30 e 44 mL/min: Alguns pacientes começam a apresentar cansaço, inchaços e alterações nos exames de sangue.
- Estágio 4 – TFG entre 15 e 29 mL/min: perda avançada de função renal. É uma fase crítica, pois sintomas como anemia, acidose metabólica, edema e distúrbios minerais tornam-se mais comuns.
- Estágio 5 – TFG < 15 mL/min: Considerado estágio terminal. Geralmente o paciente já está em avaliação para programação de terapia renal substitutiva → diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal.

Tratamento como prevenção de progressão
Não há um tratamento específico que leve à reversão da doença renal crônica. O objetivo principal é controlar a função renal a fim de retardar a progressão da doença, controlar sintomas e evitar complicações.
As estratégias incluem:
- Controle rigoroso da pressão arterial: medicamentos como IECA e BRA são frequentemente usados para proteger os rins.
- Controle da glicemia (para diabéticos): manter níveis estáveis evita danos aos vasos renais.
- Tratamento da proteinúria: quanto menor a proteína na urina, mais lenta a progressão da doença.
- Intervenções nutricionais: a dieta deve ser individualizada e elaborada por nutricionista especializado. Em geral, deve-se controlar a ingestão de proteínas, potássio e fósforo (de acordo com cada estágio e resultados de exames laboratoriais); redução de sódio ; adequação de ingestão hídrica.
- Não usar anti-inflamatórios sem orientação, evitar suplementos e chás desconhecidos, manter controle de peso e praticar atividade física regularmente
- Medicamentos específicos: suplemento de bicarbonato para acidose, quelantes de fósforo, vitamina D ou derivados, eritropoetina para anemia
- Tratamentos substitutivos: indicados no estágio 5, incluem a Hemodiálise, Diálise Peritoneal e Transplante Renal
Quais complicações podem estar associadas à doença?

Vivendo com Doença Renal Crônica
Alterações na função renal devem ser sempre levadas a sério. Com exames simples de sangue e urina, e quando necessário outros exames complementares, é possível identificar precocemente problemas renais, permitindo tratamento adequado e melhor qualidade de vida.
Receber o diagnóstico de DRC pode gerar dúvidas, ansiedade e insegurança. Entretanto, com acompanhamento adequado, muitas pessoas vivem de forma ativa e saudável por anos.
Se você ou um familiar foi diagnosticado com DRC, lembre-se é essencial para ter bons resultados:
- Entender sua condição
- Participar das decisões sobre o tratamento
- Seguir corretamente as orientações médicas e nutricionais
- Evitar automedicação
- Fazer exames regulares
- Manter seguimento com Nefrologista
A educação do paciente e da família é uma das ferramentas mais importantes para melhorar a qualidade de vida e evitar complicações. Cuidar da função renal significa cuidar do corpo como um todo.