A litíase renal, conhecida popularmente como pedra nos rins ou cálculo renal, é uma condição bastante comum: estima-se que 1 em cada 10 pessoas terá pelo menos um episódio ao longo da vida. Apesar de ser uma condição geralmente benigna, ela pode provocar dores intensas e, em casos mais graves, levar a complicações que exigem acompanhamento médico especializado.

Neste artigo, você vai entender de forma clara e completa:
- O que é a litíase renal.
- Quais são as suas causas e fatores de risco.
- Os principais tipos de cálculos renais.
- Os sintomas mais comuns.
- Como é feito o diagnóstico.
- Quais são as opções de tratamento e prevenção.
O que é litíase renal?
O termo litíase renal vem do grego lithos (pedra) e significa a formação de cálculos (pedras) dentro dos rins ou em qualquer parte do trato urinário (ureteres, bexiga, uretra). Essas pedras são aglomerados sólidos de sais minerais e outras substâncias presentes na urina, que se cristalizam quando a urina fica muito concentrada.
A litíase pode ser silenciosa e descoberta por acaso em exames de imagem, mas também pode causar crises de dor súbita e intensa, conhecidas como cólicas renais. As pedras podem variar em tamanho — desde grãos microscópicos até cálculos grandes que ocupam parte do rim. Algumas são eliminadas naturalmente, outras exigem intervenção médica.

A Dra. Marina Melém é médica formada pela Universidade do Estado do Pará e com residência em Clínica Médica e Nefrologia no Hospital de Base de São José do Rio Preto – FAMERP.
Possui alta capacitação no tratamento da litíase renal e anos de experiência em transplante de rim, fazendo parte do corpo clínico de um dos maiores centros transplantadores de rim do Brasil e do mundo. Além de trabalhar em conjunto com colegas urologistas para um melhor seguimento e tratamento do paciente com litíase.
Priorizando a saúde global de adultos de forma integrada, o cuidado da Dra. Marina vai além de exames, priorizando uma escuta ativa, acolhimento e tempo dedicado.
Dessa forma, procurar uma especialista como a Dra. Marina fará toda a diferença no seu diagnóstico e no seu tratamento!

Por que os cálculos se formam?
A formação das pedras está relacionada ao desequilíbrio entre substâncias que favorecem a cristalização e aquelas que a inibem. Quando a urina está supersaturada de sais minerais, há uma maior chance de que os cristais se formem e se agrupem, originando os cálculos.
Na maioria das vezes, há uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
Fatores individuais e genéticos
- Histórico familiar de cálculo renal.
- Doenças renais hereditárias como cistinúria ou hiperoxalúria primária.
- Excesso de sais na urina: como cálcio, oxalato, ácido úrico, cistina.
Fatores clínicos
- Diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
- Gota.
- Obesidade.
- Doenças intestinais inflamatórias ou cirurgias bariátricas (aumentam absorção de oxalato).
- Infeções urinárias de repetição.
- Hiperparatireoidismo.
Fatores comportamentais e ambientais
- Baixa ingestão de água/líquidos.
- Consumo excessivo de sal, proteínas animais e alimentos ultraprocessados.
- Estilo de vida sedentário.
- Clima quente (aumento da desidratação).
Tipos de cálculos renais
Nem todas as pedras nos rins são iguais. Elas podem variar em tamanho e composição.

Cálculos de oxalato de cálcio
- Mais comuns (70–80% dos casos).
- Formam-se pela combinação de cálcio com oxalato.
- Fatores associados: dieta rica em sódio e proteínas, baixa ingestão de líquidos e distúrbios metabólicos, como aumento da absorção intestinal de cálcio, aumento da absorção óssea de cálcio com aumento primário da síntese de vitamina D. A hipercalciúria idiopática é a anormalidade urinária mais frequente em pacientes com nefrolitíase.
Cálculos de ácido úrico
- Representam 5–10% dos casos.
- Mais frequentes em pessoas com gota, obesidade e síndrome metabólica.
- Favorecidos por urina ácida e baixa ingestão de líquidos.
Cálculos de estruvita (fosfato de magnésio e amônio)
- Associados a infecções urinárias crônicas por bactérias produtoras de urease.
- Podem crescer rapidamente e ocupar grande parte do rim (“cálculo coraliforme”).
- Mais comuns em mulheres.
Cálculos de cistina
- Raros (1–2% dos casos).
- Decorrentes de uma doença genética chamada cistinúria.
- Tendem a ser recorrentes e com tratamento mais complexo.
Como sei que tenho pedra nos rins?
Os sintomas dependem do tamanho, localização e movimento da pedra dentro do trato urinário. Pedras pequenas podem não causar sintomas e serem eliminadas espontaneamente, mas quando bloqueiam o fluxo urinário pode apresentar um quadro bastante sintomático. Dentre os sintomas clássicos, estão:
- A famosa cólica renal: uma dor súbita, muito intensa, geralmente na região lombar ou lateral do abdome, que pode irradiar para a virilha ou para região genital. Na maioria das vezes acontece de um lado só da região lombar. É descrita pelos pacientes como uma das dores mais intensas que uma pessoa pode sentir.
- Sangue na urina (hematúria): a urina pode ficar rosada, avermelhada ou amarronzada.
- Náuseas e vômitos.
- Sintomas urinários e infecção urinária: urgência, aumento da frequência e dor ao urinar, podendo chegar a quadro de febre e calafrios.
- Redução do volume urinário: em casos de obstrução completa.

⚠️ Atenção: dor intensa acompanhada de febre, calafrios e dificuldade de urinar é uma emergência médica e requer atendimento imediato. Neste caso, procure o serviço de pronto-atendimento mais próximo!
O diagnóstico geralmente é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
- Radiografia de abdômen (Raio-X): útil para cálculos radiopacos, mas menos sensível.
- Ultrassonografia: exame inicial, sem radiação, bom para detectar cálculos em rins e bexiga. É bem utilizada para gestantes com litíase.
- Tomografia computadorizada sem contraste: padrão-ouro, ou seja, é o melhor exame para identificar pedra de qualquer tamanho e a localização exata dentro da via urinária.

- Exame de urina (EAS): pode mostrar presença de sangue, cristais ou sinais de infecção.
- Exames de sangue: avaliam função renal (ureia, creatinina) e eletrólitos como cálcio, ácido úrico, sódio, dentre outros.
- Análise do cálculo eliminado (análise cristalográfica): quando possível, ajuda a identificar o tipo de pedra e orientar a prevenção. É considerado o exame padrão-ouro para determinar a composição do cálculo.
- Exame metabólico (urina de 24h): avalia excreção de cálcio, oxalato, citrato, ácido úrico, cistina e outros parâmetros. Deve ser coletado concomitante à amostra de sangue e não pode ser realizado no momento da crise. O paciente deve esperar pelo menos 3-8 semanas após a última eliminação de cálculo espontânea ou cirúrgica, também não pode estar em uso de cateter duplo J e não pode estar tratando infecção urinária. Dentro de 3-6 meses do início do tratamento, uma nova amostra de urina 24hs deve ser coletada para avaliar a resposta terapêutica e monitorar eventos adversos. Posteriormente, o acompanhamento pode ser anual.
Opções de tratamento
O tratamento depende do tamanho, localização, composição da pedra e sintomas do paciente. Pode variar desde medidas simples até procedimentos cirúrgicos. O Nefrologista frequentemente atua em conjunto com o Urologista, para a melhor decisão e programação terapêutica.
Tratamento clínico conservador na fase aguda
Indicado para cálculos pequenos (menores que 5 mm), que têm boa chance de serem eliminados espontaneamente. Inclui:
- Hidratação adequada: aumento da ingestão de líquidos para facilitar a eliminação.
- Medicamentos para dor: analgésicos e anti-inflamatórios (se o paciente não tiver alteração de função renal).
- Medicamentos que relaxam o trato urinário: alguns medicamentos facilitam a passagem da pedra.
- Acompanhamento com exames: para avaliar se o cálculo foi eliminado.
Procedimentos invasivos
Os tratamentos invasivos são realizados pelo Urologista, que é o cirurgião das vias urinárias. Quando a pedra é grande, causa obstrução ou dor intensa, pode ser necessário remover o cálculo. Em algumas situações, o cálculo não pode ser retirado em uma primeira abordagem. Neste caso, é realizado o implante de um pequeno cateter chamado “Duplo J” para manter a via urinária pérvia, para que num segundo momento, o cálculo seja retirado.
- Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO): ondas de choque fragmentam a pedra em pedaços menores, que são eliminados pela urina.
- Ureteroscopia: introdução de aparelho fino pela uretra até o ureter para fragmentar e retirar o cálculo.
- Nefrolitotomia percutânea: indicada para cálculos grandes, é feita uma pequena incisão nas costas para acessar o rim e remover a pedra.
- Tratamento cirúrgico convencional: hoje em dia é raro, reservado a cálculos muito grandes ou situações complexas.
Tratamento crônico
Depois de ter um episódio de litíase renal, o risco de recorrência é alto: até 50% em 5 anos. Por isso, a prevenção é fundamental e devemos levar em consideração as características químicas dos cálculos e as alterações metabólicas capazes de gerar cálculos específicos.
- Cálculos de oxalato de cálcio e de ácido úrico: em geral tratamos com uso de diurético tiazídico e restrição de sal na dieta para a hipercalciúria (cálcio urinário 24hs >300mg em homens e >250mg em mulheres), medicação para a hiperuricosúria (ácido úrico urinário 24hs > 800mg) e citrato de potássio para hipocitratúria (citrato urinário 24hs < 250mg), que são os principais mecanismos associados à formação deste cálculo.
- Cálculos de estruvita: os cálculos de aspecto coraliformes podem atingir todo o rim e o exame de urina revela pH alcalino, além de comum associação com infecção urinária com exame de urocultura positiva para germes produtores de urease (Proteus, Pseudomonas e Klebsiella). O tratamento definitivo é a remoção cirúrgica total do cálculo e nos casos que não houver a retirada total, a antibioticoterapia deverá ser mantida por tempo indefinido.
- Cálculos de cistina: a solubilidade da cistina aumenta muito em pH urinário alcalino. O uso de citrato de potássio, bicarbonato de sódio e acetazolamida apresentou bons resultados nos pacientes.

Veja o que pacientes dizem sobre a Dra Marina:


Prevenção: na rotina, quais medidas devo tomar para evitar a formação de pedras nos rins?
- Beba bastante água: a recomendação geral é de 2 a 3 litros por dia, salvo restrição médica.
- Reduza o consumo de sal e evite alimentos ultraprocessados: excesso de sódio aumenta a excreção de cálcio na urina.
- Modere na ingesta de proteínas animais: como carne vermelha em excesso.
- Inclua frutas e verduras na dieta: ajudam a alcalinizar a urina e reduzem o risco de cálculos.
- Evite excesso de alimentos ricos em oxalato: espinafre, beterraba, nozes e chocolate devem ser consumidos com moderação em quem já tem predisposição.
- Reposição de vitaminas deve ser individualizada: como vitamina D e vitamina C.
- Controle doenças associadas: como obesidade, diabetes e hipertensão.
- Faça acompanhamento médico regular: especialmente se já teve cálculos anteriormente.
Convivendo com a litíase renal
Quem já teve pedras nos rins sabe que a experiência pode ser extremamente dolorosa. Além do tratamento imediato, é essencial manter acompanhamento periódico.
O nefrologista avalia aspectos metabólicos e previne recorrência, enquanto o urologista atua principalmente nos casos que exigem tratamento cirúrgico. Muitas vezes, os dois especialistas trabalham em conjunto.
Mais importante do que tratar é prevenir. Assim, é possível reduzir as chances de novos episódios e preservar a saúde dos rins.
Extra! O cálculo de bexiga: o que devo saber?
O cálculo vesical (tipo de pedra formada na bexiga), é caracterizada pela formação ou acúmulo de cálculos (cristais endurecidos) no interior da bexiga. Esses cálculos se desenvolvem a partir da precipitação de sais minerais na urina, geralmente devido à estase urinária, infecção ou presença de corpos estranhos.
As principais causas que levam à obstrução do trato urinário inferior e impedem o esvaziamento completo da bexiga, são:
- Hiperplasia prostática benigna (HPB) em homens.
- Estenose uretral (estreitamento da uretra).
- Bexiga neurogênica (alteração do controle neurológico da micção).
- Infecções urinárias de repetição.
- Corpos estranhos no trato urinário (cateteres, fios de sutura).
- Desidratação ou baixa ingestão de líquidos.
Nos casos mais graves, o cálculo pode obstruir completamente a saída da urina, levando à retenção urinária aguda — uma emergência médica.
O tratamento depende do tamanho, composição e da causa do cálculo. As principais opções incluem:
- Cistolitotripsia endoscópica: procedimento minimamente invasivo que fragmenta o cálculo dentro da bexiga por via uretral, utilizando energia a laser, ultrassom ou pneumática. É o método mais utilizado atualmente.
- Cistolitotomia aberta: indicado para cálculos volumosos ou quando há necessidade de tratar simultaneamente uma obstrução prostática ou outra anormalidade anatômica.
- Tratamento da causa de base: é fundamental corrigir o fator predisponente (ex.: tratar HPB, estenose uretral ou bexiga neurogênica) para prevenir recidivas.
Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o prognóstico é excelente. Entretanto, a recorrência é possível se a causa subjacente não for corrigida. Por isso, o acompanhamento é fundamental para evitar complicações e danos ao trato urinário.
Artigo muito esclarecedor. Parabéns!
Obrigada sr Hugo!
À disposição,
Dra Marina Melém
Muito esclarecedor
Obrigada sr Firmino!
À disposição,
Dra Marina Melém